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Michael
Jackson
Um
dos melhores performers e também um ícone de seu tempo, Michael
Jackson morreu ontem, provavelmente em uma ambulância, a caminho
do hospital após sofrer uma parada cardíaca. Uma inesperada
e triste nota final de uma carreira brilhante, quase eclipsada
por um festival de excentricidades, mas que anunciava seu
retorno triunfal aos palcos para breve, mais precisamente
para julho deste ano, quando se iniciaria "This is It" uma
série de 50 shows agendados para acontecer em Londres, na
O2 Arena.
Não
parece, mas 45 anos separam o garoto prodígio que aos 5 anos
de idade já encantava plateias com seu talento para cantar
e dançar do adulto semi-recluso, que se preparava para retornar
aos palcos em uma tentativa de recuperar alguma parte do brilho
perdido.
A
história dele lembra os contos de fadas, uma família de cantores
negros, 5 garotos da cidade de Gary, no estado de Indiana,
encantaram a já estrela da música negra Diana Ross e por ela
foram levados até a gravadora Motown, que se encarregaria
de apresentá-los para o mundo.
Mas
o tal conto de fadas aparecia só deste lado da tela, para
os garotos do Jackson 5 existia apenas uma rotina de cobranças,
castigos e ensaios até a exaustão que teriam contribuído,
no caso de Michael, para a formação de uma personalidade excêntrica,
com quase nenhum contato com a realidade.
Mas
os garotos continuaram crescendo e aos poucos, Michael começou
uma carreira solo paralela ao grupo, sempre com grande sucesso;
até que em 1975, o grupo deixaria a Motown para assinar com
a gravadora Epic, deixando para trás um inconformado Jermaine
Jackson, então genro de Berry Gordy, dono da Motown.
Mudando
o nome do grupo para The Jacksons com Michael já estabelecido
como líder e principal compositor, eles ganharam um
disco de ouro com o primeiro álbum e um de platina com o seguinte
"Destiny" (1978).
Com
sua carreira solo a pleno vapor, Michael é
convidado a participar, ao lado de Diana Ross, de um "remake"
do clássico do cinema "O Mágico de Oz"; intitulado "The
Wiz", o filme dirigido por Sidney Lumet, tinha sua trilha
sonora assinada por Quincy Jones.
No
papel de Espantalho, Jackson faz no filme tudo o que já vinha
fazendo nos palcos e ainda conhece Quincy Jones, o produtor
do disco que mudaria sua vida para sempre: "Off the Wall"
(1979), até hoje considerado um dos seus melhores trabalhos.
E
um sucesso surpreendente, com composições assinadas por Stevie
Wonder e Paul McCartney, "Off the Wall" vendeu nada menos
do que 12 milhões de discos no mundo inteiro, um recorde na
época, e rendeu para Michael um Grammy de Melhor Artista de
R&B.
Mesmo
com o estrelato batendo à porta, Michael deixou-se convencer
por sua mãe a gravar e excursionar mais uma vez com seus irmãos;
em 1980 ele grava "Triumph" e passa os dois próximos anos
em tour com o grupo.
Chega
a hora de voltar ao estúdio e retomar sua carreira solo e
em dezembro de 82 o mundo recebe estarrecido "Thriller", o
disco mais vendido da história da música, segundo o Guiness
Book of Records, até 2006, eram 104 milhões de cópias em todo
o mundo.
Nada
menos do que 7 de suas 9 faixas foram lançadas como singles
e destes três ("The Girl Is Mine", "Billie Jean" e "Beat It")
lideraram as paradas de sucesso de todo o mundo e na edição
de 1983 do Grammy, Michael levou 8 dos 12 prêmios a que foi
indicado.
Em
1981, surgia a MTV nos EUA e os novos tempos pediam que um
artista de música criasse trabalhos específicos para ela,
Michael abriu uma produtora de videoclipes e fez o um clipe
para "Beat It" e uma megaprodução para "Thriller", dirigido
por John Landis, um cineasta que acabara de conquistar grandes
bilheterias e notoriedade com o filme de terror "Um Lobisomem
Americano em Londres".
O
clipe custou mais de 600 mil dólares e era bem longo, com
13 minutos de duração, fugindo completamente dos padrões da
época. Michael aparecia rodeado por zumbis e transformando-se
em lobisomem, com uma técnica especial de maquiagem desenvolvida
por Landis.
Foi
o "golpe" final, agora nada mais podia parar a máquina
de ganhar dinheiro em que o artista se transformara, sua tounê
de 1984 pelos EUA e Canadá renderia 75 milhões de dólares
e quebraria recordes de público.
Em
1985 um dos assuntos mais divulgados pela mídia era a onda
de fome que assolava a Etiópia, um país que fica no norte
da África. Sensível à causa, Michael uniu-se a Lionel
Ritchie e Quincy Jones, convocando outras 44 celebridades
da música para gravar "We Are The World", o disco chamado
"USA for Africa" arrecadou 200 milhões de dólares
para a causa e rendeu para Michael mais dois Grammys.
Em
1987 Bad chega às lojas, um disco que recebeu críticas
negativas, mas que também teria uma grande vendagem; o clipe
da música título do disco, também uma super produção, foi
dirigido por Martin Scorsese e o que mais chamou atenção foram
as mudanças em sua aparência; Michael teria se submetido então
a pelo menos duas cirurgias plásticas que afinaram seu nariz,
amendoaram seus olhos e já eram percebidas as mudanças
em sua cor de pele, que mais tarde ele explicava como efeitos
do vitiligo, uma doença que provoca a descoloração
gradual da pele.
Suas
mudanças físicas se transformaram em um prato cheio para os
tablóides sensacionalistas e na opinião do próprio Michael,
a principal razão de "Bad" não ganhar nenhum dos Grammys a
que foi indicado.
Mesmo
frustrado pela ausência dos prêmios, Michael saiu em tournê
apresentando-se em 15 países e batendo mais uma vez seu próprio
recorde de público; 4,4 milhões de pessoas o viram em megashows
em estádios naquele ano.
Em
1988 Michael faz "Moonwalker", dirigido por Jerry Krammer,
o filme é essencialmente um musical com videoclipes para músicas
como "Smooth Criminal" e "Leave me Alone".
Em
1990, um contrato com a Sony Music transformaria Michael no
artista mais bem pago da história da música; ele receberia
mais de 1 bilhão de dólares para permanecer por mais 15 anos
na gravadora, produzindo 6 discos durante este período.
Neste
mesmo ano, durante a apresentação do American Music Awards,
Michael ganharia o título de Rei do Pop.
No
final de 91, Michael lança "Dangerous" e chama mais uma vez
John Landis para dirigir o videoclipe da música "Black or
White". O filme com 10 minutos de duração foi transmitido
simultaneamente para 27 países, batendo mais um recorde, desta
vez de audiência e estreiava efeitos especiais inovadores,
desta vez feitos por computador.
Durante
a "Dangerous World Tour", que passou pelo Brasil em 1993,
o cantor se veria envolvido em um escândalo, a acusação de
abuso sexual de um menor aumentou a perseguição da mídia ao
astro e interrompeu aquela que seria a sua maior tournê até
então.
Um
acordo financeiro com os pais do garoto supostamente abusado,
encerrou o assunto para a Justiça e o processo acabaria arquivado
em 1994 por falta de provas. Neste mesmo ano, Michael casa-se
com Lisa Marie Presley, filha de Elvis.
O
casamento dura apenas dois anos, em 95 Michael lança HIStory
- Past, Present and Future Book I, um disco duplo, com 15
sucessos remasterizados no disco I e 15 músicas inéditas
no disco II.
Deste disco, dois videoclipes em especial chamam atenção:
"Scream", onde Jackson aparece ao lado da irmã Janet, que
bateu o recorde de custo de produção na época (7 milhões de
dólares) e "They Don't Care About Us" com cenas filmadas na
Bahia e no Rio de Janeiro.
Em
96 já divorciado de Lisa Marie, Jackson casa-se com a enfermeira
Deborah Rowe, com quem teve 2 filhos, Michael Joseph Jackson
Jr. e Paris Katherine Jackson. As condições do casamento,
que acabaria logo, não foram divulgadas, mas a mãe abriu mão
da guarda dos filhos para Jackson.
Em
97, Michael lança "Blood on the Dance Floor", um disco de
remixes e participa do curta metragem "Ghosts" com roteiro
de Stephen King e direção de Stan Winston.
Em
2001, Michael comemorou seus 30 anos de carreira com dois
shows no Madison Square Garden em Nova York e pela primeira
vez em 20 anos reuniu-se com seus irmãos do grupo The Jacksons.
O
disco Invincible criou problemas de Jackson com a Sony, sua
gravadora, que apenas três meses após o seu lançamento retiraria
o disco das lojas sem maiores explicações.
Em
2002 nasceria Prince Michael Jackson II, o terceiro filho
do cantor, de mãe anônima e resultado de inseminação artificial,
o bebê estaria no centro de uma nova polêmica ao ser colocado
por Jackson para fora da janela do hotel onde estavam hospedados
em Berlin, seguro pelos pés.
Vivendo
isolado do resto do mundo com seus três filhos, Michael é
mais uma vez acusado de pedofilia em 2005, mas desta vez chegou
a ser julgado. Depois da absolvição, Michael deixaria Neverland
e se mudaria para o Bahrain.
Sumido
da mídia nos últimos anos, Michael havia voltado a ser assunto
em março deste ano, quando convocou uma coletiva de imprensa
para divulgar o seu retorno aos palcos com 50 apresentações
em Londres na O2 Arena.
A
causa da parada cardíaca deve ser investigada nos próximos
dias, mas especulações apontam para um provável
abuso de remédios, já que Michael que se preparava
fisicamente para os novos shows, usava antiinflamatórios
para aliviar a dôr de um acidente recente, em que teria
fraturado duas costelas.
Adriana
Maraviglia
Redação Eletricidade
Discografia
Solo
Got
To Be There (1971)
Ben (1972)
Music and Me (1973)
Forever, Michael (1975)
Off The Wall (1979)
One Day in your Life (1981)
Thriller (1982)
Farewell my Summer Love (1984)
Bad (1987)
Dangerous (1991)
HIStory: Past, Present and Future – Book I (1995)
Invincible (2001)
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