|
Neste
ano, uma comemoração chama atenção de
quem gosta de música brasileira, o cinqüentenário
da Bossa Nova traz a tona o desejo de despertar no espírito
dos brasileiros a mesma admiração que os estrangeiros
têm por este ritmo, que ao lado de ícones como Pelé,
a Praia de Copacabana e a Estátua do Cristo Redentor, é
uma das marcas registradas mais identificadas com o Brasil.
Mas nem sempre foi assim, em seu início, em 1958, quando
Elizeth Cardoso lançou o disco Canção
do Amor Demais com músicas compostas por Tom Jobim
e Vinícius de Morais e João Gilberto lançou
a música Chega de Saudade em um compacto, aquele
movimento musical que já acontecia em alguns bares e casas
noturnas no Rio de Janeiro, começou a ganhar repercussão
nacional e recebeu uma saraivada da crítica que inicialmente
estranhou aquela sonoridade.
Mas aos poucos teve que aceitá-la, já que a cara do
país estava mudando, até uma nova Capital estava sendo
construída e o Brasil começava a se transformar em
um país moderno, aquela música que ainda guardava
alguma semelhança com o samba em sua temática, mas
que também tinha um parentesco com o jazz, que era o ritmo
do momento, era o espelho cultural daquela modernização.
E neste processo tornou-se também a cara do Rio de Janeiro,
com suas letras que exaltavam as belezas da cidade e que foram ocupando
cada vez mais espaço, a ponto de em 1962, um grande grupo
de artistas do movimento serem convidados para se apresentar em
uma noite de gala em Nova York, no Carneggie Hall.
Inúmeros eventos devem comemorar estes 50 anos nos próximos
meses, mas os que mais chamam atenção e que devem
atrair mais público são os shows de João Gilberto,
as três apresentações conjuntas de Caetano Veloso
e Roberto Carlos e uma exposição na Oca, no Parque
do Ibirapuera em São Paulo.
João Gilberto é considerado um dos inventores da Bossa
Nova, mas suas apresentações têm sido, ao longo
dos anos, cada vez mais raras, por isso, a sua anunciada tournê
de comemoração ao cinquentenário da Bossa Nova
tem sido motivo de muita alegria entre os fãs de seu estilo
único.
O cantor se apresenta nos dias 14 e 15 de agosto, no Auditório
Ibirapuera, em São Paulo; depois segue para o Rio de Janeiro,
onde canta no dia 24 de agosto no Teatro Municipal.
Também está prevista uma apresentação
em Salvador no dia 05 de Setembro, no Teatro Castro Alves.
Outro show que promete ser imperdível é o que reunirá
no mesmo palco uma dupla inusitada formada por Caetano Veloso e
Roberto Carlos em homenagem a Tom Jobim.
Para quem não consegue ligar o nome de Roberto Carlos à
Bossa Nova, vale lembrar que o cantor iniciou sua carreira imitando
João Gilberto.
A
homenagem a Tom Jobim acontece no Teatro Municipal do Rio de Janeiro
no dia 15 de Agosto e em São Paulo, no Auditório do
Ibirapuera, nos dias 25 e 26 de Agosto. Acompanhando Caetano Veloso
e Roberto Carlos um grupo de 12 músicos liderados por Jaques
Morelenbaum. Os shows serão gravados e lançados posteriormente
em CD e DVD.
|
|

Mas
antes de poder conferir no palco estas apresentações
especiais, os paulistanos poderão tentar entender como e
por que o calçadão de Copacabana serviu de inspiração
para criar tanta beleza musical.
A
exposição em homenagem aos 50 Anos de Bossa Nova traz
para o prédio da Oca, no Parque do Ibirapuera, a partir do
dia 7 de Julho, além do universo musical da Bossa Nova, um
pouco do universo visual das praias que lhe serviram de inspiração.
Com alta tecnologia, a exposição promete recriar no
subsolo da Oca as praias do Rio de Janeiro, ao nascer e também
ao pôr-do-sol.
No mesmo andar, em um outro ambiente, o visitante pode se sentar
em um bar e assistir a shows com João Gilberto, Tom Jobim,
Frank Sinatra, Nara Leão, Vinícius de Moraes e Stan
Getz. Um detalhe importante é que os músicos não
estarão em telas, mas em projeções tridimensionais.
O
primeiro andar terá três salas, em homenagem a cada
um dos inventores do ritmo, Tom Jobim, João Gilberto e Vinícius
de Moraes mostram documentários sobre cada um destes artistas.
Enquanto que no segundo andar a experiência será mais
sensorial, com uma câmara anecóica, que abriga apenas
dois visitantes por vez, as pessoas poderão descobrir o que
é o silêncio absoluto, uma condição sempre
exigida por João Gilberto para que sua platéia possa
apreciar plenamente sua arte.
E a seguir, o visitante se deita no chão para apreciar a
música deste mestre, enquanto assiste ao espetáculo
do mar projetado no teto da Oca.
Adriana Maraviglia
Redação Eletricidade
|
|
|