“Climax” de Marina Lima usa a cidade de São Paulo como inspiração – Revista Eletricidade

“Climax” de Marina Lima usa a cidade de São Paulo como inspiração

Chegando ao décimo nono disco de uma carreira que começou no final da década de 70, a cantora Marina Lima muda o cenário de sua poesia musical para São Paulo.

Em “Clímax”, seu primeiro trabalho de inéditas desde “Lá nos Primórdios” (2006), a cidade serve de inspiração para as letras e define o clima de sua nova safra de canções.
A metrópole caótica recebe uma referência direta em #SPfeelings, a segunda faixa do disco, bossa nova na melodia traz na letra a visão de Marina sobre a eterna agitação da cidade em que está vivendo desde 2010 e onde uma boa parte das novas canções foram escritas.

O disco abre com “Não me Venha Mais com o Amor”, parceria de Marina com Adriana Calcanhoto, a música tem uma guitarra costurando sobre uma saborosa batida eletrônica e letra que exalta o sexo sem envolvimento amoroso.

E depois da ode a São Paulo, os fãs da cantora podem perceber que a cidade não é seu único amor recente, Lisboa também chegou a ser considerada em algum momento um local interessante para fixar residência; a letra de “Lex” fala sobre isso e invertendo a ordem estabelecida em #SPFeelings, as construções eletrônicas navegam sobre uma base orgânica de bateria e guitarra. Perto do fim, uma citação de “Canto de Ossanha” (Baden Powell).

“Keep Walkin'” tem letra em inglês e exprime a inquietude da artista, que por sinal, após ter problemas bem sérios com sua voz, agora parece tê-la reencontrado e canta de forma bem mais fluída do que em seus dois trabalhos mais recentes.

Outra em inglês, mas desta vez uma regravação “Call Me”, resgata um sucesso da década de 60, cantada por Chris Montez transformando-a em puro charme na voz de Marina.

“A Parte que me Cabe” é cantada em dueto com Vanessa da Mata, enquanto “Desencantados”, uma canção mais densa, na forma e no conteúdo, traz Karina Buhr, Edgard Scandurra e Alex Fonseca.

No disco mais autoral de sua carreira, Marina assina sozinha sete das onze faixas em que fala de sexo, amor e a procura por seu próprio espaço no mundo e talvez tenha na faixa mais radiofônica do trabalho seu único deslize. Desdizendo no romantismo exacerbado de “Pra Sempre”, um dueto com Samuel Rosa (Skank), as elaborações mais sérias do restante do disco. Vai tocar no rádio sim, mas não parece pertencer ao mesmo conjunto inspirado e inspirador do restante do disco.

Dito isto, resta apenas dizer uma coisa; que bom que Marina Lima ainda está na cena musical brasileira, para lembrar-nos que qualidade musical e bom gosto fazem toda a diferença!

Adriana Maraviglia
@drikared

Faixas de “Clímax”:

1. Não me Venha Mais com o Amor
2. #SPFeelings
3. Lex (My Weird Fish)
4. Keep Walkin’
5. A Parte que me Cabe
6. De Todas que Vivi
7. Call me
8. Doce de Nós
9. Desencantados
10. As Ordens do Amor
11. Pra Sempre

Assista ao vídeo de “Pra Sempre”, com participação especial de Samuel Rosa: 

Discografia de Marina Lima

1979 Simples Como Fogo
1981 Olhos Felizes
1981 Certos Acordes
1982 Desta Vida, Desta Arte
1984 Fullgás
1985 Todas
1986 Todas Ao Vivo
1987 Virgem
1989 Próxima Parada
1991 Marina Lima
1993 O Chamado
1995 Abrigo
1996 Registros à Meia-Voz
1998 Pierrot do Brasil
2000 Síssi Na Sua – Ao Vivo
2001 Setembro
2003 Acústico MTV
2006 Lá Nos Primórdios

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