Birdman ou a inesperada virtude de um filme surpreendente – Revista Eletricidade

Birdman ou a inesperada virtude de um filme surpreendente

BRIDMAN POSTERO novo filme do diretor mexicano Alejandro Gonzalez Iñárritu traz críticas ferrenhas ao atual “estado de coisas” em que se encontra a chamada sétima arte; cada vez mais distante do conceito de arte, os estúdios transformaram-se em linhas de montagem de filmes em que o ritmo frenético e a sucessão de explosões são feitas com apuro técnico crescente, para satisfazer um público que se contenta com grandes espetáculos visuais, e não se importa com seus roteiros rasos, meras continuações de franquias intermináveis e seus super heróis.

Essa era a carreira cinematográfica que fez de Riggan Thomson (Michael Keaton) um homem famoso; o ator responsável por 3 filmes da franquia Birdman, feitos na década de 90, mas que depois de alguns anos afastado das telas, tenta um retorno triunfal, mas agora com toda a respeitabilidade que uma atuação na Broadway pode garantir.

Bancando do próprio bolso a montagem de um texto denso, adaptação para o teatro do conto “What We Talk About When We Talk About Love” do escritor Raymond Carver, ele dirige e atua no espetáculo, dividindo o palco com mais 3 atores, mas está muito tenso nos poucos dias que antecedem a estreia.

E quanto mais nervoso Riggan fica, mais ele ouve a voz de Birdman, o seu antigo personagem, dentro de sua cabeça, conclamando-o a abandonar tudo e retomar a velha glória holywoodiana, novamente na pele do herói que o consagrou.

Um acidente no palco faz com que um dos atores tenha que ser substituído e por indicação de Lesley (Naomi Watts), uma das atrizes da peça, Riggan convoca Mike Shiner (Edward Norton), um brilhante, mas difícil ator de teatro, que mesmo entrando na produção a poucos dias da estreia tenta roubar a cena.

E usando Shiner e uma duríssima crítica de teatro, que despreza Hollywood com todas as suas forças, Iñárritu também vira suas metralhadoras para o outro lado da balança, os que se sentem “defensores” da arte pura, intocada, que fazem das pequenas plateias de salas teatrais, o único público desejável e necessário.

Mas estamos em outros tempos e tudo precisa estar ao alcance de todos, com a audiência da internet e a fama conquistada em sites como o Youtube substituindo qualquer necessidade de talento ou arte; pelo menos é assim que pensa Sam (Emma Stone), a filha de Riggan, que mal deixou a clínica de reabilitação, passou a ser a assistente pessoal do pai, no teatro.

E no cenário cada vez mais caótico da produção, Riggan continua encontrando apenas seus delírios como refúgio.

Os diálogos do roteiro são bem acima da média escritos por um time formado pelo próprio Iñárritu, Nicolas Giacobone, Alexander Dinelaris e Armando Bo, eles fazem rir com seu humor negro; e o próprio formato inovador do filme, com uma edição que esconde os cortes, a exemplo do clássico “Festim Diabólico” (1948) do mestre Alfred Hitchcock, ficamos com a impressão de que a câmera segue a ação todo o tempo, mesmo quando entra nas alucinações de Riggan, a câmera de Emmanuel Lubezki está lá, acompanhando tudo de perto.

Cabe aqui salientar as maravilhosas atuações de todo o elenco, é claro que Michael Keaton recebe os maiores aplausos, mas Edward Norton e Emma Stone também estão memoráveis

Birdman é um daqueles filmes que chegam para mudar o jogo, transformar o mesmo de sempre em algo surpreendente, completamente diferente daquilo que todo mundo acostumou-se a esperar de Hollywood. Ainda bem, o cinema que se faz hoje em dia precisa muito disso.

Birdman  chega aos cinemas brasileiros no dia 29/01.

Adriana Maraviglia
@drikared

Assista ao trailer de “Birdman”:

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