Miss Julie – O Inferno é o outro – Revista Eletricidade

Miss Julie – O Inferno é o outro

MISS JULIE - POSTERUm fantástico texto teatral clássico do autor sueco August Strindberg, escrito em 1888, é a base deste filme que teve seu roteiro adaptado e foi dirigido pela atriz Liv Ulman.

A Miss Julie do título é a filha de um barão (Jessica Chastain) está isolada em um castelo na Irlanda acompanhada por dois empregados, John, o valete de seu pai (Colin Farrell) e Kathleen (Samantha Morton), a cozinheira e noiva de John.

Sem muito o que fazer em sua vida protegida por sua situação social, mas também sentindo-se enclausurada, Miss Julie deseja participar de uma festa popular que acontece durante a “Midsummer’s Night”. O dia mais longo do ano, que acontece por volta do dia 24 de junho, na Europa, em que as pessoas dançam nas ruas festejando e dançando ao redor de fogueiras.

Sentindo-se atraída por John, Miss Julie deseja dançar com ele durante as festividades, mas é desencorajada pelos dois empregados, que temem pela segurança da jovem aristocrata e não permitem que ela deixe o castelo.

Ela então decide provocá-lo, mas como desconhece qualquer limite, aproveita-se de sua condição social privilegiada e passa a torturar os dois empregados, com resultados cada vez mais inquietantes e perigosos.

Como diretora, a favorita de Bergman constrói o horror de uma situação claustrofóbica que envolve repressão sexual, guerra de classes, abismos sociais, mas mostra tudo isso com um texto literário acima da média, fazendo com que o público, além de sentir toda a aflição de situações cada vez mais degradantes, ainda tenha o prazer de acompanhar um texto literário bem acima da média do que se costuma encontrar nas salas de cinema.

O trabalho dos atores é sensível, em um texto difícil, cheio de armadilhas em que poderiam escorregar facilmente em qualquer excesso interpretativo, os três se mostram no controle de seus personagens.

Oprimidos e opressores têm cada um seu momento de mostrarem-se humanos e frágeis; mas seu relacionamento se mostra impossivelmente destrutivo. O filme tem muitas camadas a serem consideradas e discutidas e impressiona ao colocar na tela nenhum dos truques gráficos a que estamos acostumados nos últimos anos, mas apenas o ser humano em toda a sua capacidade para ferir e destruir seus semelhantes.

Adriana Maraviglia
@drikared

Publicado Originalmente no Blog Planeta Cinema

Assista ao trailer de Miss Julie:

 

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