Gal Costa ainda melhor em “Estratosférica” – Revista Eletricidade

Gal Costa ainda melhor em “Estratosférica”

GAL COSTA - ESTRATOSFÉRICAUma das melhores vozes da nossa música de sempre, Gal Costa nunca se conformou em fazer o que se esperava dela e depois do radicalismo eletrônico de “Recanto” (2011); volta a lançar um novo disco de inéditas, o 36º de sua carreira.

Mas desta vez acertando a mão. “Estratosférica” é um disco bem mais equilibrado e interessante do que seu antecessor.
Enquanto “Recanto” ficou um pouco com aquela cara de algo feito no espírito do “vamos experimentar até as últimas consequências”, pesando demais a mão nas eletroniquices e nas novidades, o novo trabalho é muito melhor resolvido.

Produzido por Alexandre Kassin e Moreno Veloso, o disco tem a direção artística de Marcus Preto, que ajudou a dar uma maior uniformidade ao trabalho, cortando excessos e arestas e levando o trabalho a um outro patamar. Dá até para arriscar que, embora “Estratosférica” seja menos “ousado” e “novidadeiro” do que “Recanto”, ele consegue ser um passo adiante, mais firme e menos perdido entre possibilidades e texturas.

Vale lembrar que Gal é uma intérprete e em “Estratosférica” ela optou por buscar seu repertório entre novos compositores como Arthur Nogueira e Mallu Magalhães e veteranos consagrados como Milton Nascimento, Tom Zé e Caetano Veloso.

Chega a ser um alívio ouvir o diálogo entre guitarra e órgão hammond no rock “Nem Medo Nem Esperança”, de Arthur Nogueira e Antonio Cícero, faixa que abre o disco.

“Jabitaca”, a faixa seguinte, é puro romantismo, uma balada que traz a modernidade nos detalhes e a privilegiada voz de Gal embalando tudo.

A faixa-título, “Estratosférica” é uma daquelas canções que já nascem com cara de festa, para sair dançando logo de cara.

O clima de latinidade de “Ecstasy” convida a continuar dançando até que tudo mude na intensa “Dez Anjos”, resultado da parceria entre Milton Nascimento e Criolo

A música tem uma cara de obra prima épica, coisa rara de se encontrar por aí, nos discos que a gente ouve e suficientemente forte para impressionar logo a primeira audição.

“Espelho D’Água” e “Quando Você Olha Pra Ela” são duas pequenas canções românticas encantadoras, daquelas capazes de mudar completamente o clima ao redor.

E depois delas é a vez de todo o erotismo do velho Tom Zé, sobre uma base completamente eletrônica, nem precisa dizer que a voz de Gal é o grande diferencial que torna tudo mais leve e divertido.

“Muita Sorte” é outro excelente momento do disco e não fosse a base eletrônica tem aquela pegada que poderia ter saído diretamente da obra de Caymmi, pela temática.

A letra de Caetano Veloso enche de lirismo a base completamente eletrônica composta por Zeca Veloso, em “Você Me Deu”.

E para fechar o disco, outra obra prima, “Ilusão à Toa” é uma autêntica balada vinda direta da Bossa Nova. Saída direto do repertório de Johnny Alf, um dos artistas mais interessantes de todo o movimento.

Resumindo, “Estratosférica” é um belíssimo trabalho, moderno e cheio de diversidade, com qualidades suficientes para encantar o público de Gal Costa e ainda conquistar novos fãs.

 

Adriana Maraviglia
@drikared


Confira as faixas de “Estratosférica”:
1. Sem medo nem esperança
2. Jabitacá
3. Estratosférica
4. Ecstasy
5. Dez anjos
6. Espelho d’água
7. Quando você olha para ela
8. Por baixo
9. Casca
10. Muita sorte
11. Amor, se acalme
12. Anuviar
13. Você me deu
14. Ilusão à toa

Assista ao vídeo  de “Quando Você Olha Pra Ela”:

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