Ken Loach é o vencedor da Palma de Ouro em Cannes – Revista Eletricidade

Ken Loach é o vencedor da Palma de Ouro em Cannes

KEN LOACH - FOTO: REPRODUÇÃO

O cineasta britânico Ken Loach, de 79 anos, foi o grande vencedor da Palma de Ouro, na 69ª edição do Festival de Cinema de Cannes, com seu drama “I, Daniel Blake”.

O filme conta a história de um carpinteiro de Newcastle, lutando por seus direitos, foi recebido com muita emoção pelo público do festival, embora não tenha conseguido impressionar os críticos. O júri deste ano, liderado pelo diretor George Miller (Mad Max), votou em Loach, que já tinha levado o prêmio anteriormente por “Ventos da Liberdade” (The Wind that Shakes the Barley), de 2006.

E não foi apenas no principal prêmio da noite, que o júri de Cannes contrariou o gosto dos críticos, a comédia “Tony Erdmann”, que estava sendo considerada uma das favoritas da crítica, também ficou de fora das premiações. A própria imprensa que cobria o festival pediu explicações sobre as escolhas do júri de Miller, que incluía também Kirsten Dunst, Donald Sutherland e Vanessa Paradis, mas ele se recusou a dar qualquer detalhe sobre o processo de escolha.

Em seu discurso de agradecimento, após receber o prêmio, o diretor Loach disse: “Filmes podem nos levar ao mundo da imaginação. Mas também podem nos levar ao mundo em que vivemos… Precisamos levar uma mensagem de esperança. Precisamos dizer que um outro mundo é possível, e necessário.”

Entre os outros filmes premiados, “It’s Only the End of the World”, do canadense Xavier Dolan, levou o segundo prêmio de maior prestígio, o Grand Prix. O filme é um drama que conta a história de uma família disfuncional e que chegou a ser vaiado em sua sessão de exibição para a imprensa. E as vaias, de forma deselegante, continuaram até mesmo durante o discurso do cineasta, após a premiação.

“American Honey” de Andrea Arnold, levou o Prêmio do Júri. É a terceira vez que a cineasta britânica recebe o mesmo prêmio, desta vez com um road movie jovem e com uma trilha sonora enriquecida pela música do meio oeste americano. Depois de “Red Road” (2006) e “Fish Tank” (2009).

Mas os admiradores da cineasta esperavam mais. E infelizmente, em um ano em que se falou tanto no empoderamento feminino, além de esnobar “Erdmann”, diversos filmes que falavam do tema, ficaram de fora da premiação, incluindo “Aquarius” de Kleber Mendonça Filho, que sempre esteve muito bem cotado entre os favoritos.

Confira a lista completa de premiados de Cannes:

Palma de Ouro – “I, Daniel Blake” (Ken Loach, Inglaterra)

Grand Prix – “It’s Only the End of the World” (Xavier Dolan, Franco-canadense)

Melhor Diretor (empate) – Olivier Assayas – “Personal Shopper” (França) e Cristian Mungiu – “Graduation” (Romenia)

Melhor Ator –  Shahab Hosseini – “The Salesman” (Irâ)

Melhor Atriz – Jaclyn Jose – “Ma ‘Rosa” (Filipinas)

Prêmio do Júri – Andrea Arnold – “American Honey” (anglo-americano)

Roteiro: Asghar Farhadi – “The Salesman” (Irâ)

Outros prêmios

Palme d’Honneur: Jean-Pierre Léaud

Camera d’Or: “Divines” – Houda Benyamina (França-Quatar)

Palme d’Or para curta-metragens: “Timecode” – Juanjo Jimenez (Espanha)

Menção Especial – Palme d’Or para curta-metragens: “The Girl Who Danced With the Devil” – Joao Paulo Miranda Maria (Brasil)

Ecumenical Jury Prize: “It’s Only the End of the World” (Xavier Dolan, Canada-France)

Um Certo Olhar

Prêmio Um Certo Olhar: “The Happiest Day in the Life of Olli Mäki” – Juho Kuosmanen (Finlandia)

Prêmio do Júri: “Harmonium” – Koji Fukada (Japão)

Diretor: Matt Ross – “Captain Fantastic” (EUA)

Roteiro: Delphine and Muriel Coulin – “The Stopover” (França)

Prêmio do Júri Especial: Michael Dudok de Wit – “The Red Turtle” (Franco-japonês)

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