Filme de Oliver Stone sobre Edward Snowden quer reabrir discussão sobre direito a privacidade – Revista Eletricidade

Filme de Oliver Stone sobre Edward Snowden quer reabrir discussão sobre direito a privacidade

SNOWDEN - HERÓI OU TRAIDOR - FOTO: REPRODUÇÃO

O cineasta Oliver Stone sempre gostou de uma controvérsia e é inimigo declarado do conservadorismo americano, criticando-o pesadamente em  filmes como “W”(2008), uma cinebiografia do presidente George W Bush, ou  “Nascido em 4 de Julho” (1989), baseado na história real de um idealista que volta do Vietnã destruído física e psicologicamente apenas para descobrir que precisará travar um outro tipo de guerra, dentro de seu próprio país, para simplesmente manter-se vivo.

E agora, como os tempos são outros, mas o conservadorismo parece que, infelizmente, voltou para ficar, Stone decide contar outra história real, a de Edward Snowden, um ex-funcionário do governo americano, que, desiludido com tudo o que viu, resolve entregar para a imprensa provas de que o governo espiona diariamente a comunicação de cidadãos do mundo inteiro, alegando razões de segurança, mas também com a finalidade de obter vantagens comerciais e financeiras.

Com Joseph Gordon-Levitt encarnando Snowden com um talento que vai além da assustadora semelhança física, o filme também conta com Melissa Leo, Zachary Quinto, Shailene Woodley, Tom Wilkinson e Nicolas Cage, entre outros.

O Snowden de Stone é outro americano idealista e conservador, que tenta ingressar nos “Serviços Especiais” do Exército Americano, mas não consegue e, por possuir habilidades acima da média com computadores, acaba indo parar na NSA, uma das agências de segurança dos Estados Unidos.

Obrigado a manter seu trabalho secreto até mesmo para a família, Snowden vai aos poucos percebendo que não consegue mais compactuar com o trabalho da agência, principalmente depois de perceber que um dos programas que criou, que, para ele, seria apenas uma forma de proteger o conteúdo dos computadores dos escritórios americanos no exterior, em caso de ataque, estava servindo  para enviar drones a ataques sobre civis, usando o GPS de celulares para localizar seus alvos.

Assim, Snowden dá um jeito de colher provas e chama a imprensa para um encontro em Hong Kong, bom, o resto é História.

Aliás tão História que o próprio Edward Snowden, agora vivendo em um estranhíssimo exílio na Rússia, aparece nas cenas finais do filme, ajudando a corroborar na veracidade de tudo o que foi exposto ali.

O fato é que, não há grandes revelações ou novidades neste filme, tudo ou quase tudo que está ali andou pelos jornais e noticiários na época em que os fatos aconteceram, mas o grande trunfo de Snowden não é trazer informações novas, mas nos fazer rever novamente toda a situação e chamar o público a pensar no quanto governos, empresas e organizações sabem e podem saber sobre nossas vida.

Será que ainda existe privacidade neste mundo? Talvez não, mas que governos deveriam estar ao menos tentando garantir o direito dela continuar existindo para seus cidadãos, ah, isso eles deveriam, não é?

Vale continuar no cinema, enquanto rolam os créditos para ver os registros do Snowden real, mostrados em noticiários, enquanto se ouve  “The Veil”, uma belíssima música de Peter Gabriel, que puxa a trilha sonora e tem cara de que entrará fácil na lista dos indicados ao Oscar deste ano.

Adriana Maraviglia
@drikared

Assista ao trailer de “Snowden: Herói ou Traidor”:

 

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