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Performance dos atores é o ponto alto de "O Discurso
do Rei"
A
história real de Bertie (Colin Firth) é tão surpreendente
quanto as 12 indicações que este belo drama de época recebeu
ao Oscar neste ano incluindo de melhor filme, diretor (Tom
Hooper), ator (Colin Firth), ator coadjuvante (Geoffrey Rush),
atriz coadjuvante (Helena Bonham Carter), roteiro original,
direção de arte, edição, fotografia, figurino, trilha sonora
e mixagem de som.
Dirigido
por Tom Hooper, que já tem em seu currículo
"The Damned United" (2009), o filme é tecnicamente
perfeito e isto significa belos figurinos, uma reconstituição
de época impecável e um ótimo roteiro,
escrito por David Seidler, que por sua vez baseou-se nos diários
de Lionel Logue.
Em
uma época em que a família real ainda podia viver com alguma
privacidade, entre as décadas de 20 e 30, Albert (Colin Firth),
o Duque de York, segundo filho do Rei George V (Michael Gambon),
tem um problema de gagueira que o impede de falar em público
e mesmo buscando um tratamento, já se conforma em ter uma
participação menor nos "negócios da família"; já que David
(Guy Pearce), seu irmão mais velho é oficialmente o herdeiro
ao trono.
Por
isso, ele aceita tratar-se com Lionel Logue (Geoffrey Rush),
um terapeuta australiano com métodos pouco ortodoxos, até
que seu irmão abdica para casar-se com uma divorciada americana.
Precisando
assumir repentinamente o trono, Albert encontra na amizade
do terapeuta e no apoio de sua esposa Elizabeth (Helena Bonham
Carter) o estímulo necessário para vencer seu
problema e liderar o Império Britânico durante
a Segunda Guerra Mundial.
Uma
história de superação que é encenada com delicadeza e talento,
especialmente pela dupla central: Colin Firth e Geoffrey Rush
levam a produção a outro patamar, assim o que poderia até
confundir-se com mais uma daquelas biografias de figuras ilustres
britânicas, que fazem a glória da BBC, torna-se um retrato
tão bem tecido que é possível sentir a dor do príncipe vendo
seu senso de dever quase capitulando frente a um obstáculo
que parece intransponível.
Em
um papel especialmente difícil, o ator Colin Firth
passeia graciosamente pela tela, apresentando cada nuance
da situação do príncipe sem pieguices
ou espaços para a caricatura que poderia inspirar as
dificuldades de expressão de sua personagem. Levou
merecidamente o Globo de Ouro e é tido como favorito
ao Oscar de Melhor Ator.
E
já que falei em produções da BBC, uma
coincidência interessante; em "O Discurso do Rei",
Colin Firth volta a contracenar com a atriz Jennifer Ehle
(Myrtle Logue), seu par romântico na ótima adaptação
para a TV do romance de Jane Austen, "Orgulho e Preconceito"
(1995).
Tocante
e tão perfeito que tem recebido injustas acusações de ter
sido feito para ganhar prêmios. Não é o caso e repetir isso
me parece uma tolice tão enorme quanto a de premiar um filme
feito com o propósito de dar algum respaldo cultural para
uma empresa que foi feita ontem e pode desaparecer depois
de amanhã, nas marés dos gostos sempre mutantes do mundo online.
"O
Discurso do Rei" tem estreia agendada nos cinemas brasileiros
para o dia 11/02. Para quem não consegue mais esperar
para conferir o filme, alguns cinemas de São Paulo
já estão exibindo "O Discurso do Rei"
em sessões especiais.
Adriana
Maraviglia
Redação Eletricidade
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