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Julie
& Julia (2009) - Uma história de amor à Gastronomia
Um intervalo de 50 anos separam as duas
histórias reais das protagonistas deste filme; quando
Julia Child (Meryl Streep) aparece na tela pela primeira vez,
estamos no final da década de 40 e ela está
chegando em Paris, ao lado do marido Paul Child (Stanley Tucci),
um diplomata que acaba de ser transferido para a embaixada
americana na França.
O
casal é bastante improvável para os padrões
mais tradicionais: formado por uma mulher alta, um tanto desajeitada,
mas com uma personalidade exuberante e um homem pequeno, careca,
discreto, mas perdidamente apaixonado por ela.
Acompanhamos
os dois agindo como todo turista recém-chegado, e com
aquela dose extra de desinformação que parece
existir especialmente entre os americanos, quando descobrem
por lá algo que está longe de ser um segredo:
a excelência da culinária francesa.
Se
apaixonam por ela, e em uma época em que o lugar das
mulheres não era exatamente nas cozinhas de restaurantes,
Julia luta contra os preconceitos até conseguir penetrar
na mais conhecida e prestigiada academia de gastronomia francesa:
O Cordon Bleu; na época uma escola essencialmente masculina
que formava apenas a nata dos chefs de cuisine do mundo.
Nesse
mundo reservado para poucos, a dona de casa começa
a sentir a necessidade de dividir seu novo conhecimento com
suas compatriotas, do outro lado do Atlântico, e ao
lado de duas sócias francesas inicialmente, inicia
uma escola e depois faz de um livro seu grande projeto: Mastering
the Art of French Cooking, com suas mais de 700 páginas
e 524 receitas; demora uma década para ser concluído
e torna acessível pela primeira vez a culinária
francesa para as donas de casa americanas.
E
é aí que entra a segunda protagonista do filme
Julie Powell (Amy Adams), inicialmente parece não ter
nada em comum com Julia Child, além da nacionalidade.
Em
um momento complicado de sua vida, depois de tentar escrever
um livro e desistir, ela trabalha atendendo ao telefone da
construtora responsável pelo projeto de reconstrução
do World Trade Center, em 2002, após os atentados de
11/09.
Um
trabalho estressante e sem perspectivas, sua vida consegue
ainda piorar um pouco mais, depois que se muda para uma vizinhança
nada charmosa no Queens e incentivada pelo marido Eric Powell
(Chris Messina); embarca em um projeto ambicioso, o de fazer
cada uma das 524 receitas descritas no livro de Julia Child,
no período de 1 ano, dividindo sua experiência
com o restante do mundo em um blog.
Como
Julia, Julie se apaixona pela culinária francesa e
fica tão obcecada pela culinarista e pelo projeto,
que parece pronta a deixar de lado qualquer coisa em sua vida
que esteja no caminho e até mesmo seu compreensivo
marido, chega a perder a paciência com os altos e baixos
da blogueira.
O
roteiro da diretora Nora Ephron, baseado nos livros das duas
personagens procura os pontos comuns e faz do filme um ótimo
entretenimento, com boas interpretações dos
dois lados da história, que nos fazem até mesmo
acreditar que Meryl Streep, com seu 1,68m de altura é
uma "giganta" desajeitada com mais de 1,80m.
Já
para quem tem algum interesse, mesmo que mínimo por
culinária, o filme é obrigatório e um
prazer à parte. Apenas um conselho: nunca vá
ao cinema com fome.
As
cenas que envolvem comida boa, são tão explícitas,
que podem fazer qualquer um, sair correndo do cinema, em busca
do primeiro restaurante francês que puder encontrar.
Parece
que a receita do filme tem bem mais de um ingrediente certo
para entrar na lista dos "oscarizaveis" deste ano,
embora neste quesito a gente nunca possa ter muita certeza
sobre o que "sairá do forno".
Adriana
Maraviglia
Redação Eletricidade
Texto
publicado originalmente no blog
Planeta
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