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Abraços
Partidos - Quem diria, um Almodóvar noir!
O cineasta espanhol Pedro Almodóvar
sempre mostrou em sua obra um alto grau de fascinação
pelo próprio cinema e com um estilo muito pessoal,
o cineasta costuma revelar aqui e ali, seu amor pela chamada
Sétima Arte.
Neste
novo trabalho, com personagens do universo cinematográfico,
ele não precisa de desculpas e escancara sua paixão.
Harry
Cane (Lluís Homar), pseudônimo de um ex-diretor
de cinema que tornou-se roteirista após sofrer um acidente
que o cegou recebe a visita de um misterioso cineasta chamado
Ray X (Ruben Ochandiano), que o procura para contratá-lo
para desenvolver um script, desencadeando os flashbacks que
explicam sua condição.
O
ex-diretor volta ao início da década de 90 para
contar o que aconteceu durante as filmagens de seu último
trabalho "Garotas e Malas", uma comédia com
ecos de "Mulheres a Beira de um Ataque de Nervos",
que tem como protagonista Magdalena (Penelope Cruz) e amante
do milionário Ernesto (José Luis Gómez),
por quem o diretor se apaixona a primeira vista.
Ciumento,
o milionário coloca o próprio filho no set de
filmagens com a desculpa de realizar um making of, mas com
o objetivo de vigiar o que acontece com a amante e a descoberta
da traição desencadeia uma grande crueldade.
Se
Almodóvar torna ainda mais explícita sua paixão
pelo cinema, vestindo sua musa Penélope Cruz como Audrey
Hepburn e Marilyn Monroe em algumas sequências, ele
opta por uma paleta de tons mais esmaecidos e próximos
da linguagem do film noir, fugindo do padrão coloridíssimo
e grandiloquente que o tornou famoso.
Um
belo trabalho que deve agradar muito aos cinéfilos,
mas que não deixa de ser uma boa opção
para os "não iniciados", em busca de apenas
uma boa distração.
Adriana
Maraviglia
Redação Eletricidade
Texto
publicado originalmente no blog
Planeta
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