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Avatar
- Tecnologia e boas intenções garantem a diversão
Logo
após viver a consagração pelo sucesso
fenomenal de Titanic (1997), James Cameron saiu um pouco de
cena, para dedicar-se a um novo e misterioso projeto, que
segundo palavras do próprio diretor, "mudaria
a cara do Cinema para sempre".
E
finalmente, depois de consumir 12 anos de sua vida e prováveis
500 milhões de dólares de orçamento;
"Avatar", o resultado final do projeto mais ambicioso
de Cameron, chegou aos cinemas no finalzinho de 2009 e em
apenas 20 dias de exibição, já contabiliza
1,19 bilhões de dólares e ocupa a terceira posição
do ranking de maiores bilheterias da história, perdendo
apenas para "O Senhor dos Anéis - O Retorno do
Rei" e "Titanic"; mas com potencial para ultrapassar
os dois ainda nos próximos dias.
Assim
como Titanic, o filme é um espetáculo grandioso
possibilitado por efeitos especiais criados especialmente
para ele, mas se em Titanic ainda existiu um certo espaço
para o trabalho dos atores, em Avatar eles se transformam
apenas na base para que o tal do CGI (Computer Generated Imagery)
seja montado.
A
história se passa no futuro, os terráqueos já
esgotaram o próprio planeta e agora, necessitam de
novos recursos encontrados em outros planetas do Universo.
Um deles, chamado Pandora é habitado pelos Na'vis,
um povo integrado à natureza, que se recusa a dar espaço
para os humanos explorarem o precioso metal Unobtainium, existentes
apenas em suas terras.
Na
tentativa de resolver de uma vez por todas o problema, uma
equipe militar financiada por uma poderosa empresa de mineração,
chega ao planeta, entre os militares, um ex-mariner Jake Sully
(Sam Worthington), um soldado paraplégico, que vai
substituir seu irmão gêmeo em um experimento
comandado pela cientista Dr Grace (Sigourney Weaver).
A tecnologia terráques conseguiu criar corpos de Na'vis
em laboratório, que são guiados a distância
por humanos e numa tentativa de ganhar a simpatia da tribo,
que facilitaria muito o processo de conseguir explorar as
riquezas do planeta.
Jake,
ganha assim um corpo saudável, de 3 metros de altura
e parte para as matas do planeta Pandora, onde é aceito
pela tribo dos Omaticaya e acaba se apaixonando pela cultura
local e particularmente por Neytiri (Zoe Saldana), a jovem
filha do chefe da tribo que passa a ser sua professora.
Mas
aos poucos, os humanos revelam suas reais intenções
predatórias, enquanto Jake mostra que veio para proteger
os Na'vis e evitar sua destruição.
A
beleza das imagens e dos efeitos especiais 3D enchem a tela
e acabam preenchendo todo o espaço deixado pela eventual
fraqueza do roteiro, que não traz nada de novo e naquilo
que tem se transformado em mais um clichê do cinema
desde Star Wars, leva para o espaço as batalhas mais
do que humanas entre poderosos exploradores com sua eterna
sede por riquezas e as vítimas de seus planos de "predação"
espalhadas pelo mundo, vivam elas no Oriente Médio,
na África ou na Amazônia.
Não
acho que Avatar tenha poder suficiente para mudar a cara do
Cinema, como pretendia James Cameron, mas a exemplo de Titanic,
será mais um filme que já está sendo
visto pelo mundo inteiro, usando como atrativo maior um visual
espetacular; mas não custa torcer para que suas boas
intenções ecológicas ajudem no despertar
da voz da consciência das sociedades baseadas no consumo
desenfreado; as mesmas que justificam e apoiam as tais guerras
que continuam trocando sangue humano por petróleo.
Adriana
Maraviglia
Redação Eletricidade
Texto
publicado originalmente no blog
Pipocando
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