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O
esporte para unir uma Nação
O
cineasta Clint Eastwood, mais uma vez busca inspiração
na vida real para contar uma extraordinária história
de superação.
Nelson
Mandela dispensa maiores apresentações; vítima
daquele absurdo chamado apartheid, passou 27 anos na prisão,
mas de lá, saiu para governar o país e mudá-lo
para sempre.
Em
1994, quando foi eleito presidente, a África do Sul
parecia um vulcão prestes a explodir; de um lado, os
brancos ainda racistas, temendo as represálias que
os negros, antes submissos e agora livres, e no comando, poderiam
patrocinar.
Do
outro lado, os negros experimentavam pela primeira vez uma
situação em que suas vozes eram ouvidas e tentam
aproveitar o momento para uma pequena grande vingança:
mudar tudo na seleção de rugby, o esporte favorito
dos brancos, que na visão deles seria ainda um dos
símbolos do apartheid.
Mas
Mandela tem outros planos e usará o amor pelo esporte
não como uma forma de vingança pelos séculos
de opressão, mas como um ponto de união para
um novo recomeço.
Com
o livro "Playing the Enemy: Nelson Mandela and the Game
that Made a Nation" do jornalista John Carlin como base,
o roteiro mostra a trajetória de um Nelson Mandela
quase heróico, interpretado com maestria pelo maravilhoso
Morgan Freeman, o presidente se compromete em trazer o apoio
de todo o país para o time de rugby, e no intervalo
de apenas um ano, consegue levar a seleção à
final contra a poderosa seleção da Nova Zelândia.
No
time, seu grande entusiasta passa a ser o capitão François
Pienaar, na pele de Matt Damon, mais loiro e "bombado"
do que nunca e caprichando no sotaque sulafricano, em um papel
que ironicamente, após exigir tanta mudança
corporal, é definido muito mais por olhares significativos
do que por qualquer ação física.
O
título do filme refere-se ao poema de William Ernest
Henley (18491903), enviado por Mandela ao capitão
Pienaar para servir como estímulo e inspiração
para a luta pelo campeonato e que, segundo o roteiro, serviu
para inspirar Mandela durante os anos em que esteve na prisão.
Alguns
especialistas na história da África do Sul dizem
que as coisas não foram bem assim, que as complicações
do vergonhoso racismo continuam ainda hoje, atingindo o país
e que Mandela nunca foi exatamente o santo que o filme pinta,
mesmo assim é difícil deixar de sentir uma grande
emoção em algumas sequências.
Uma
emoção que já rendeu ao filme 3 indicações
ao Globo de Ouro (melhor ator na categoria drama, melhor ator
coadjuvante e melhor direção) e que deve render
umas outras tantas ao Oscar.
Adriana
Maraviglia
Redação Eletricidade
Texto
publicado originalmente no blog
Pipocando
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