No
papel, não tinha como perder: um elenco top de linha
reunido pela primeira vez para fazer uma comédia
romântica com múltiplas histórias versando
sobre uma das datas de maior apelo comercial do mundo e
dirigido por alguém que tem uma larga experiência
dentro do gênero; o tipo de investimento no qual até
o mais cuidadoso dos investidores apostaria seu último
centavo de ohos fechados na certeza de lucro.
Mas
faltaria um detalhe: e alguém já disse que
o diabo mora neles e no caso deste "sucesso certo"
ele está no roteiro. Talvez com a boa aceitação
de filmes como a simpática produção
britânica "Simplesmente Amor" em mente,
e aproveitando o elenco numeroso, a ideia de várias
histórias de amor que se desenrolam no Dia dos Namorados
não seria ruim de todo, se não fosse exatamente
a questão do excesso de histórias.
Por
ter gente demais no elenco, nenhuma das histórias
temina bem mostrada, tudo é tão corrido que
gente maravilhosa como Kathy Bates, não fica mais
do que três minutos em cena e daí você
acaba se perguntando para que chamar uma atriz tão
boa se sua personagem não terá tempo para
dizer mais do que três frases?
E
esta talvez seja a maior causa de "Idas e Vindas do
Amor" tornar-se, na prática, uma grande decepção
para o público; com muitas histórias acontecendo
paralelamente nenhuma tem chance de convencer na tela e
fica tudo muito superficial e previsível.
Garry
Marshall bem que tenta, mas o filme não decola e
a simpatia de algumas cenas e situações é
logo colocada a perder pelo rodízio rápido
para outra história, pela estupidez do politicamente
correto ou por outra razão qualquer que torna a produção
morna, sem sal e sem açúcar.
Uma
pena que em mais de duas horas de filme a única coisa
com algum valor seja uma breve cena onde vemos Shirley MacLaine
dançando com Hector Elizondo em um cinema ao ar livre.