Produzido
em 1941, o fllme "O Lobisomem" original é
considerado um dos maiores clássicos da história
do cinema de terror, e ainda hoje consegue assustar mesmo
sem possuir grandes efeitos especiais, ou cenas de violência
mais explícita, utilizando simplesmente um clima
de tensão constante causada pela mágica interação
entre um elenco talentoso, uma inspirada direção
e um bom roteiro que mantinha o público no escuro,
revelando lentamente o horror de uma terrível maldição.
Mas
estamos em uma outra época, que não só
permite filmar qualquer coisa que a imaginação
sonhar, como também, depois da chamada crise economica,
existe uma tendência de investidores e estúdios
em apostar nas histórias já conhecidas do
público e remakes tornaram-se prioridade.
Mas
o projeto, que era muito bom no papel, não correu
assim tão facilmente na prática e até
uma troca de diretor aconteceu durante as filmagens; com
Joe Johnston (Jumanji) assumindo a direção.
O
resultado final é um filme irregular, onde os efeitos
especiais de ponta e uma ação quase ininterrupta
tentam substituir o clima de tensão do original,
mas sem muito sucesso.
E
se a violência, explícita, com todo o sangue
e as vísceras pulando na direção da
câmera são um ponto negativo nesta nova versão,
a direção de arte procura nos detalhes da
época vitoriana o "ar de mistério"
que a explicitude das cenas mais violentas nos roubou.
O
roteiro da nova versão tem algumas diferenças
significativas para o original, mas basicamente conta a
história de Lawrence Talbot (Benício Del Toro),
um ator que afastou-se de sua família aristocrática,
mas retorna à casa de seu pai Sir John Talbot (Anthony
Hopkins), atendendo a uma carta de Gwen Conliffe (Emily
Blunt), noiva de seu irmão Ben (Simon Merrells),
preocupada com seu desaparecimento.
Logo ao chegar, Lawrence descobre que o irmão foi
morto por um animal selvagem e quase tem o mesmo destino,
ao atacar juntamente com outros habitantes do vilarejo,
um acampamento de ciganos.
Com
a ajuda de Gwen, ele se recupera, mas acaba sendo enviado
por seu pai para um sanatório em Londres, onde descobre
a verdade sobre sua nova condição e a maldição
de que toda a sua familia é vítima, foge e
é perseguido por um inspetor da Scotland Yard (Hugo
Weaving).
Com
muita ação e cenas de violência e terror
explícito, a nova versão mostra em todas as
cores, aquilo que o filme original apenas sugeria, o que
talvez esteja mais de acordo com o gosto das platéias
atuais que parecem mesmo incapazes de apreciar sutilezas.
Os
atores estão razoáveis, distantes de qualquer
lampejo de genialidade, mas ainda dá para destacar
o trabalho dos veteranos Geraldine Chaplin, como a cigana
(Maleva) e de Anthony Hopkins.
É
claro que o filme original é bem melhor, um verdadeiro
marco da sétima arte, mas o remake não faz
tão feio assim, pelo menos, pode divertir aqueles
que ainda não tiveram a chance de ver o original.