Desde
a publicação do seu trabalho mais importante:
"A Origem das Espécies" (1859), o cientista
Charles Darwin é visto por religiosos de diversas
linhas como alguém cujas ideias devem ser combatidas
a qualquer custo, todo o tempo, sempre sob a impressão
e temor de que elas são capazes de desviar as multidões
dos supostos caminhos da fé.
E
esta talvez seja a maior razão para um personagem
tão importantante para a ciência e, com uma
história de vida tão rica e interessante para
a própria humanidade, ter ficado até o século
XXI fora do alcance do Cinema e da popularização
que ele pemite.
Mas
uma cinebiografia mais tradicional não teria muita
chance, por isso entra em cena o livro "Annies
Box", escrito por Randal Keynes, tataraneto de Darwin
que coloca o enfoque no impacto das descobertas do cientista
sobre sua vida familiar.
Com
roteiro adaptado para o cinema por John Collee, a história
que o filme de Jon Amiel conta é a de um Charles
Darwin (Paul Bettany) deprimido após a morte de sua
filha mais velha Annie (Martha West), que simplesmente reúne
todos os dados de sua pesquisa em um grande baú de
madeira, enquanto busca dentro de si mesmo as razões
para publicá-lo.
E
estas razões são explicadas em visões,
devaneios, flashbacks e até mesmo alucinaçoes
do cientista que tem como uma das maiores críticas
de seu trabalho, a própria esposa Emma (Jennifer
Connelly), que já era religiosa e torna-se ainda
mais fanática após a morte da filha.
Vale
destacar o trabalho da pequena atriz estreiante Martha West,
que com apenas 10 anos de idade rouba todas as cenas em
que participa e já demonstra aquele carisma que só
as grandes estrelas costumam ter.
Sem
qualquer compromisso didático de explicar a chamada
Teoria da Evolução, "Criação"
é um retrato humano e honesto, embora a primeira
vista um pouco confuso de um cientista genial que em alguns
círculos continua polêmico, mas que foi e ainda
é essencial para tentar começar a compreender
a verdadeira natureza do mundo em que vivemos, um dos mais
importantes desafios da humanidade.