Depois
de sua parceria vitoriosa com Alison Krauss, no ótimo
"Raising Sand", que nestes tempos bicudos de downloads
generalizados vendeu surpreendentes 3 milhões de
cópias, Robert Plant volta à cena musical
com "Band of Joy", o nono disco de estúdio
de sua carreira solo, que por sinal, já supera e
muito em número de anos e álbuns, o tempo
que esteve à frente do Led Zeppelin.
O
disco é um explícito mergulho no passado,
da retomada da "Band of Joy", onde em meados da
década de 60, Plant começou sua carreira musical
ao lado de John Bonham, ao repertório de "pérolas"
pescadas entre melodias obscuras de artistas de décadas
passadas.
E
se Plant tem habilidade para alguma coisa, além de
(ainda) cantar maravilhosamente, é para encontrar
estas músicas.
Sua
larga experiência nesta arte certamente ajuda, afinal
desde 1984, quando gravou Honeydrippers Volume 1,
ele faz exatamente isso, encontra músicas maravilhosas
no repertório de artistas que muitas vezes não
resistiram a passagem de tempo e as regrava de seu jeito,
transformando-as em verdadeiras jóias.
Mas,
Band of Joy tem um extra, o universo musical
de que costumava servir-se está ainda mais amplo
e agora também inclui elementos do folk americano
e do gospel, que são bem mais recentes em seu repertório,
para ser mais exata só apareceram após seu
dueto com Alisson Krauss.
Não
é a toa que o produtor escolhido para o disco seja
Buddy Miller, um dos mais conhecidos da cena country, que
escolheu um estúdio em Nashville e uma banda formada
por Patty Griffin nos vocais, Darrell Scott, multi-instrumentista,
Byron House, baixo, Marco Giovino bateria e percussão,
e o próprio Buddy Miller na guitarra.
Bom,
mas vamos ao disco propriamente dito, a faixa de abertura,
também é a primeira a chegar nas rádios
e ganhar um videoclipe é "Angel Dance",
cover da banda Los Lobos, a seguir vem "House of Cards"
e podemos conferir pela primeira vez outra mudança
pós-Krauss; agora, Plant divide seu microfone com
a cantora Patty Griffin e o resultado vai da sonoridade
mais tradicional do country às arrepiantes versões
psicodélicas para as músicas "Silver
Rider" e "Monkey", da banda Low.
O
disco ainda tem um recado claro para aqueles que não
entenderam a decisão de Plant de manter-se fora de
uma reunião do Led Zeppelin, na faixa número
4, "You Can't Buy My Love" parece responder diretamente
aos executivos da música que chegaram a oferecer
mais de 200 milhões de libras ao artista para fazer
uma série de shows com sua antiga banda.
Realmente,
com toda essa musicalidade ainda viva dentro dele, me parece
que subir ao palco para tocar noite após noite sempre
as mesmas coisas seria mais do que tolo, chega quase a ser
um crime.
Mesmo
antes do disco chegar às prateleiras das lojas reais
e virtuais, Robert Plant já está na estrada
mostrando aos fãs o novo repertório. Para
nós brasileiros resta torcer para que ele decida
incluir shows por aqui em seus planos.
Adriana
Maraviglia
Redação Eletricidade