E
todos eles fazem isso, Mick Jagger, Keith Richards, Ronnie
Wood e até mesmo Charlie Watts, com toda sua pose
aristocrática, costuma aproveitar as longas "férias"
longe da banda para mostrar ao resto do mundo a sua música
própria.
Desta
vez, sem nada para fazer com os Stones até 2011,
ano em que segundo rumores teremos novidades da banda, o
guitarrista Ronnie Wood lança "I Feel Like Playing",
o sétimo disco de estúdio de sua carreira
solo.
E
embora o disco seja solo, ele não foi exatamente
sozinho para o estúdio mas levou consigo uma lista
de músicos que só o prestigio de um verdadeiro
Rolling Stone consegue reunir como Slash (Guns N' Roses,
Velvet Revolver), Flea (The Red Hot Chili Peppers), Billy
Gibbons (ZZ Top), Ian McLagan (Faces), Eddie Vedder (Pearl
Jam), Kris Kristofferson, Waddy Wachtel, Ivan Neville (Bob
Dylan), Darryl Jones (Stones), Steve Ferrone, Bobby Womack,
e Bernard Fowler
E
com tantas feras juntas, o resultado não poderia
ser diferente; mas um disco de rock daqueles que já
são raridade de se encontrar por aí.
É
verdade que resta muito pouco da voz de Woody, o álcool
e os cigarros já causaram muitos danos, mas ainda
assim é bom de ouvir; com uma base muito bem estabelecida
naquela sonoridade rock/blues/r&b sujinha, que traz
à mente aquela imagem clássica do boteco esfumaçado
no final de noite e que também fez a glória
dos Stones.
Abrindo
o disco com "Why You Wanna Go And Do A Thing Like That
For" que tem em sua letra queixas bem pessoais e um
dos arranjos mais interessantes do disco, onde se destacam
os teclados de Ivan Neville, músico veterano da banda
de Bob Dylan e uma segunda guitarra de Slash.
O
clima muda na segunda faixa e "Sweetness is My Weakness"
é um reggae cheio de suingue com Darryl Jones, atual
baixista dos Stones e com o lendário baterista Steve
Ferrone, cuidando da cozinha.
"Lucky
Man" retoma a sonoridade rocker e não faria
feio no repertório dos Stones. Vibrante, a música
é um trabalho conjunto de Ronnie com Eddie Vedder.
Dividindo
os vocais com Bernard Fowler em "I Gotta See",
Woody muda novamente de ritmo, com Billy Gibbons na guitarra,
a canção evoca um surpreendente clima gospel.
A
belíssima cover para o clássico de Willie
Dixon, "Spoonful" é apenas mais um detalhe
neste belo trabalho do músico, que embora tenha ficado
um pouco na sombra de seus colegas de banda ainda é
um membro daquela geração brilhante de músicos
britânicos que trazendo uma visão própria
da música que se fazia nos EUA, mudou o mundo para
sempre.
Adriana
Maraviglia
Redação Eletricidade