Depois
de um disco inteiramente dedicado a Bob Dylan, lançado
em 2007, Bryan Ferry volta à cena musical, oito anos
após o lançamento de Frantic (2002)
sua última coleção de músicas
inéditas.
Em
Olympia são muitas as participações
especiais: Phil Manzanera, Brian Eno, Flea, David Gilmour
(Pink Floyd), Scissors Sisters, Groove Armada e Jonny
Greenwood (Radiohead), com um elenco assim e a aura de sofisticação
usualmente associada ao vocalista o resultado não
poderia ser diferente.
Perfeccionismo
levado a extremos traduzido em arranjos polidos em melodias
lânguidas e etéreas.
Desta vez, Bryan parece nem conseguir tocar o chão;
abrindo o disco com a dançante You Can Dance,
ele canta apenas para aqueles que idealisticamente se atiram
em uma pista de dança e conseguem sair dela sem uma
gota de suor ou fio de cabelo fora do lugar.
Alphaville
vai pelo mesmo clima idealista, com uma sonoridade muito
próxima ao que costumava ser o Roxy Music.
Uma
boa surpresa vem a seguir, a bela Heartache by Numbers,
uma parceria com a banda Scissor Sisters, tem a assinatura
de sofisticação de Ferry, sem no entanto contar
com a dançabilidade característica do material
habitual da banda.
Para
dançar mesmo, Shameless, a parceria com
a Groove Armada, traz mais uma vez vida e movimento para
a pista.
Ferry
faz uma versão etérea para Song to the
Siren, com quatro guitarristas (Manzanera, Gilmour,
Greenwood e Nile Rodgers), construindo uma parede
de teclados e tirando completamente os pés da terra
da balada folk de Tim Buckley, para fazê-la pairar
pelo ar.
BF BASS (Ode to Olympia) puxa o clima dançante
para um lado mais sensual, com baixo e coro feminino que
remete ao que há de bom no funk americano.
Fechando
o disco, a balada ao piano Tender is the Night
tem uma letra que fala em um mundo ideal, quase sussurada
ao ouvido... eu aceito a sugestão, mas como tudo
que é ideal e sofisticado acaba sendo caríssimo
e obviamente está bem fora do meu orçamento.
E
por falar em luxo, a modelo usando belas jóias na
capa é ninguém menos do que a top Kate Moss.
Adriana
Maraviglia
Redação Eletricidade