E
na longa estrada do Whitesnake, sempre sob o comando de
David Coverdale, existiram muitas coisas boas e ruins, até
mesmo a normalmente não desejada, mas constante,
alta rotatividade de seus músicos pode se apresentar
como um fator positivo; porque ela serviu e serve para revelar
ao mundo grandes talentos como o do guitarrista John Sykes.
Neste
novo disco, como não poderia deixar de ser, as mudanças
na banda são a saída do baixista Uriah Duff,
do tecladista Timothy Drury (que ainda participou das gravações
de Forevermore) e do baterista Cris Frazier para a entrada
de Michael Devin (Baixo), Brian Ruedy (teclado) e Brian
Tichy (bateria)
Abrindo
o trabalho com "Steal Your Heart Away", a banda
passa a impressão de que ainda estamos na segunda
metade da década de 80, época em que o Whitesnake
experimentou por um bom tempo o "ar rarefeito"
do topo do mundo, com sua maior obra-prima, o disco conhecido
como "1987", vendendo nada menos do que 8 milhões
de cópias no mundo todo e arrecadando elogios da
crítica e do público.
No
mesmo clima, navegam as faixas "All Out Of Luck",
"Tell Me How", "Love me and Treat me Right"
e "Dogs in the Street"; mas depois de tantos anos,
incontáveis mudanças no line-up, a sonoridade
se apresenta renovada, mesmo quando se dedica a beber das
velhas fontes.
Mérito
certo da competente integração dos dois guitarristas
que fazem parte da atual encarnação da banda:
Reb Beach e Doug Aldrich mantém a chama acesa e ainda
conseguem excelentes resultados em músicas mais lentas
como a simpática balada acústica "One
of These Days"; que por sinal, invoca trabalhos mais
recentes como "Into the Light" (2000) ou o próprio
"Good to Be Bad".
A
música escolhida para trabalho, distribuída
até gratuitamente pelo site da banda e que já
ganhou um videoclipe, com direito a participação
do filho e da esposa de David Coverdale é "Love
Will Set You Free".
Mas
para quem conhece o Whitesnake ainda falta falar das baladas,
uma espécie de especialidade da casa, elas sempre
têm lugar garantido em todos os trabalhos da banda
e no caso de "Forevermore"; elas são "Easier
Said Than Done", "Fare Thee Well" e "Forevermore";
cada uma revisitando com muita competência um momento
que já fez parte do universo criado pela banda em
sua longa estrada.
"Forevermore"
é uma daquelas melodias épicas e como "Judgement
Day", do disco "Slip of the Tongue" (1989),
com sua base orquestrada, vai buscar no inconsciente do
seu público raízes mais profundas que por
sua vez evocam clássicos bem mais antigos do rock
e é o melhor momento do disco.
Já
"Fare Thee Well" revê e amplia o conceito
de "We Wish You Well"; a música do disco
"Lovehunter" (1979), usada pela banda geralmente
para agradecer e despedir-se do público, que em sua
nova versão, tem letra que parece apontar para uma
despedida mais definitiva: a da aposentadoria.
David Coverdale, nas entrevistas de divulgação
do novo disco e da nova turnê tem negado esta possibilidade.
Melhor para nós, que ainda teremos mais oportunidades
de ver o Whitesnake nos palcos ao redor do mundo.