O
segundo trabalho solo da cantora Paula Toller, chega após
oito anos do primeiro e tem pelo menos dois diferenciais
que andam meio esquecidos no mundo pop dos últimos
tempos: cuidado e sofisticação.
Mas
no bom sentido, o cuidado aqui tem a ver com busca por uma
qualidade superior e não com medo de ousadias e a
sofisticação passa bem longe daquela coisa
rebuscada que costuma vir associada a esta palavra.
Na
verdade, em "Só Nós" nada é
over e as coisas estão meio implícitas, seja
no tom da voz de Paula que continua baixinho, melodioso
e pop; como sempre foi, aliás, ou nas próprias
melodias que alternam violões e pianos em baladas
ora pops, ora folk-rock ou acústicas cheias de detalhes
interessantes e variados, mas "sequinhas", sem
nenhum excesso.
Quase
ao contrário do primeiro solo, que era um disco de
regravações, com apenas duas inéditas,
entre elas "Oito Anos", feita para o seu filho
Gabriel e "atualizada", agora, em "Barcelona
16", uma baladinha pop que fala de um "segundo
parto", com a partida (real) do filho para estudar
fora do Brasil.
As
letras também chamam atenção em "Só
Nós", das eternas questões filosóficas
de "O q é q eu sou?", às imagens
inconfundíveis do Rio de Janeiro muito bem descritas
por Fausto Fawcett em "Pane de Maravilha", passando
pela belíssima "Rústica", com letra
da Paula, o disco todo convida a uma audição
mais atenta e está bem longe daquele padrão
"produto pop", para consumo rápido, que
costuma acompanhar os trabalhos do gênero.
Das
14 faixas do disco, 8 foram compostas por Paula, em parcerias
com artistas diversos, como Erasmo Carlos, Jesse Harris,
Rufus Wainwright, Nenung, Dado Villa-Lobos e Donovan Frankenreiter.
Sendo que 4 são em inglês, "All Over",
"If You Won't", "Long Way From Home"
e "Glass", esta última, com um dueto para
lá de interessante com Kevin Johansen.
E
para quem ficou preocupado com a continuidade do Kid Abelha,
pós trabalho solo, a loura já deixou avisado
que a banda está de férias até o final
do ano.
Adriana
Maraviglia
Redação Eletricidade