O
décimo oitavo disco do cantor Djavan, "Matizes"
traz uma nova safra de canções inéditas
que exploram todas as cores da rica musicalidade do artista.
São
ao todo 12 faixas que vão do jazz ao samba, da balada
romântica mais simples às melodias sofisticadas
com arranjos que fundem blues, rock, MPB... enfim... aquela
mistura que tornou a música de Djavan única
dentro da música brasileira.
E
única também é a origem de Matizes,
o disco não tem parceiros, tudo foi feito, composto,
produzido e arranjado por Djavan, em seu próprio
estúdio e lançado pela sua própria
gravadora, a Luanda Records, não tinha como ser mais
autoral.
Afinal, Djavan "assina a autoria" até de
dois músicos da banda, seus filhos Max e João
Viana, respectivamente, guitarrista e baterista da banda
que acompanha Djavan há quase 10 anos.
E
musicalmente, a personalidade do cantor está impressa
em todo o disco até mesmo nas referências às
artes visuais na capa e nas letras, tudo aponta para aquele
estilo único que colocou o cantor/compositor alagoano
na lista dos principais artistas da MPB.
O
disco abre com "Joaninha", uma daquelas canções
que se encaixam perfeitamente no repertório do cantor,
mas só no dele, com uma melodia toda quebrada, metais
de jazz, guitarra de rock, uma mistura única, mas
com resultado final perfeito.
Depois vem "Azedo e Amargo" e "Mea-Culpa"
são baladas pop-jazz-MPB com aquela cara mais de
"prontas para o rádio", mas depois delas,
a surpresa, também com cara de balada radiofônica,
mas com uma letra que diz com todas as palavras aquilo que
anda entalado na garganta de todo brasileiro neste exato
momento: "Imposto", um "manifesto" contra
a excessiva carga tributária que assola este país.
Mas
o principal diferencial deste trabalho, não é
a "bossa-nova" de protesto, como o próprio
Djavan define "Imposto", mas talvez o samba de
exaltação ao Rio de Janeiro, "Delírio
dos Mortais", boa de se ouvir e uma verdadeira massagem
no ego de uma cidade que tem tido muito pouco motivo para
se orgulhar ultimamente.
"Louça
Fina" e "Matizes" acrescentam uma boa e interessante
dose de "latinidad" ao clima do disco, enquanto
"Por uma Vida em Paz" é uma balada lenta,
com letra ecológica.
A música escolhida para trabalho é "Pedra"
e já está com uma boa execução
nas rádios pelo país.
Analisando
de uma forma mais geral, "Matizes" é um
disco médio, sem grandes guinadas radicais de estilo
ou arroubos de genialidade, mas nem por isso fora do padrão
"Djavan" de qualidade, o que, convenhamos, não
é pouco.
Adriana
Maraviglia
Redação Eletricidade