Me
aproximei de "Raising Sand" com uma pergunta que
não podia ser silenciada dentro de minha cabeça:
o que poderia haver em comum entre o maior vocalista do
rock e uma para mim desconhecida cantora de bluegrass (gênero
tradicional do country)?
Ok, eles se conheceram em um tributo ao cantor folk Leadbelly,
na verdade sua introdução ao Rock and Roll
Hall of Fame, em 2004, ensaiaram um número juntos
e Plant teria ficado imediatamente impressionado com Alison
e sua banda, daí em diante começou a surgir
a idéia de gravar um disco juntos.
Mas
isso explica simplesmente como aconteceu o encontro entre
os artistas, mas não dá qualquer pista do
que poderia uní-los musicalmente.
Só
"Raising Sand" pode lançar alguma luz em
qualquer dúvida, suas 13 faixas são provas
de que as fronteiras que separam gêneros distintos
como o rock, o blues, o country e o folk podem ser tênues
e até inexistentes dependendo do ângulo em
que se olha.
Além
disso já faz algum tempo que Plant tem preferido
o caminho da experimentação, seus discos solo
sempre trazem cada vez mais variados "sabores"
a serem acrescentados ao já extenso "menu"
do intérprete.
Com
repertório escolhido a dedo e produzido por T-Bone
Burnett, o disco tem pequenas preciosidades como o blues
"Rich Woman", na faixa de abertura, ou a regravação
de Gone Gone Gone (Done Moved On)", dos Everly
Brothers.
"Please Read the Letter" é outro bom momento
do disco que ajuda a expor a "química"
entre os dois intérpretes.
Mas
não são só os duetos que fazem de "Raising
Sand" um disco imperdível, as faixas solo também
ajudam na boa impressão "Trampled Rose"
de Tom Waits, ficou simplesmente maravilhosa na voz de Alison
Krauss e "Nothin'", com Plant tem guitarras, violinos
e banjos... Estranho? É, pode ser, mas que soa bem,
isso soa.
Adriana
Maraviglia
Redação Eletricidade