Lenny
Kravitz nunca escondeu suas raízes musicais fincadas
firmes na região que vai do rock à black music,
mas sempre com um certo período em mente, o intervalo
entre os últimos anos da década de 60 e os
primeiros da década de 70.
Uma
época marcada culturalmente pelo movimento hippie
e sua filosofia de vida: contracultura, liberação
sexual, lisergia e especialmente nos EUA, as inúmeras
manifestações contrárias a Guerra do
Vietnã, que levavam às ruas e ao imaginário
popular as palavras de ordem de uma verdadeira revolução:
Paz e Amor!
No
oitavo disco de sua carreira, Lenny mergulha fundo neste
período, tanto musicalmente quanto filosoficamente,
e aparece pregando pela retomada dessa revolução
hippie.
Se
filosoficamente pode parecer até ingênuo para
esta época em que vivemos, musicalmente a história
é bem diferente e as referências não
poderiam ser melhores; ecos de Stones, The Doors, Jimmi
Hendrix, Led Zeppelin e Grand Funk Railroad, entre outros
podem ser percebidos na safra de novas canções,
mas já devidamente incorporados e burilados dentro
do estilo único de Lenny.
Como
em todos os seus discos anteriores, Lenny cuida pessoalmente
de todos os detalhes do disco, da composição
a execução de todos os instrumentos em todas
as faixas.
Isso
inclui dos solos de guitarra inspirados da faixa 9, até
a aspereza de Back in Vietnam; uma faixa pronta
para balançar o público assim que estiver
em execução na estrada.
Impossível
não lembrar dos Stones na faixa DancinTil
Dawn, você tem certeza que vai ouvir a voz de
Mick Jagger surgindo a qualquer momento no final da introdução,
mas é a voz de Lenny que surge, acompanhada pelo
saxofone de Lenny Pickett (busquei imediatamente pelo nome
de Bob Keys nos créditos dessa faixa.)
Dentro
da obra de Lenny Kravitz, o paralelo mais próximo
poderia ser traçado com o álbum de estréia,
Let Love Rule, que navega nessa mesma atmosfera
hippie, mas com vantagem para Its Time for a
Love Revolution, que também carrega a bagagem
adquirida nos anos de estrada e maturidade que transformaram
Lenny naquilo que ele é hoje; um dos melhores artistas
em atividade no mundo.
Adriana
Maraviglia
Redação Eletricidade