Nosso Lar confirma sucesso de público de filmes espíritas

Com a fama de ser a mais cara produção nacional graças a um custo de nada menos do que 20 milhões de reais, chega aos cinemas “Nosso Lar”, baseado no livro homônimo de Chico Xavier; trazendo mais uma vez a temática espírita para o grande público.

Até aí, tudo muito lógico, afinal não é difícil investir pesado em um filme cujo retorno financeiro é certo, já que os títulos dentro desta temática costumam arrastar multidões ao cinema, “Chico Xavier” e “Bezerra de Menezes” já haviam conseguido bons resultados, mas parecem pálidos diante do recorde de 1 milhão de espectadores que “Nosso Lar” obteve em apenas 5 dias de exibição.

Além disso, o próprio livro que descreve as experiências pós vida do médico André Luiz, tem por si mesmo um irresistível apelo cinematográfico; afinal quem durante a leitura do livro não ficou imaginando a beleza dos detalhes da colônia extrafísica descrita no texto psicografado, com seus belos jardins e instalações cheias de tecnologia do “outro mundo”.

Mas aí tropeçamos no primeiro problema, a adaptação daquilo que o papel descreve para a tela. No caso de “Nosso Lar” essa tarefa ficou nas mãos do próprio diretor Wagner de Assis, cujo currículo inclui o razoável “A Cartomante” (2004), mas que infelizmente, desta vez esqueceu que fazia um audiovisual, exagerando na verborragia e colocando na frente do público trechos e mais trechos de texto do livro ipsis litteris, o que convenhamos não ajuda nem um pouco na fluidez do espetáculo.

Pode até soar estranho, mas em um filme sobre espiritualidade fez falta um pouco de contemplação. Mesmo com a geração de cenários dependendo do CGI, um recurso técnico cujos custos, perdoem-me o chavão, estão pela “hora da morte”.

As descrições excessivas e o didatismo tiram uma boa fatia da graça do espetáculo cinematográfico e atrapalham até o desempenho dos atores, que parecem ter dificuldade para encontrar o tom.

Mas os defeitos que aponto provavelmente não serão um problema para os muitos simpatizantes da doutrina espírita que lotarão as salas e ficarão emocionados ao presenciar cada uma das descobertas da viagem do espirito de André Luiz pelo outro lado da vida.

Pena que lições edificantes nem sempre rendam bom cinema.

Adriana Maraviglia
@drikared

Compartilhe: