Em novo disco, Os Paralamas do Sucesso buscam razões para serem otimistas – Revista Eletricidade

Em novo disco, Os Paralamas do Sucesso buscam razões para serem otimistas

Oito anos depois do “solar” “Brasil Afora”, Os Paralamas do Sucesso voltam ao estúdio para reafirmar suas esperanças em algum tipo de “luz no fim do túnel” nesses tempos cada vez mais sombrios em que o Brasil vive. E o resultado é “Sinais do Sim”, o  13º álbum da banda.

Uma nova coleção de 11 músicas, compostas em sua maioria por Herbert Vianna, que tiveram a produção de Mario Caldato Jr, trabalhando pela primeira vez com Os Paralamas, ele é a grande  novidade e trouxe o “olhar de fora”, que a banda tanto desejava para este disco, depois de trazer para a estrada os seus mais de 30 anos de carreira, em uma turnê comemorativa.

Da leva de bandas de rock brasileiras surgidas entre o final dos anos 70 e início dos 80, Os Paralamas do Sucesso sempre foram os que pareceram mais dispostos a investir em um leque musical mais amplo e com mais recursos, onde o reggae, o ska, o pop e o rock internacional, ainda recebiam uma dose bem temperada de ritmos brasileiros e latinos para completar um repertório acima da média.

Segundo o release oficial, “Sinais do Sim”, a faixa título que abre o disco e foi lançada como primeiro single, no dia 13 de julho, traz só os três Paralamas, Herbert, Bi e Barone, tocando como um trio.

Depois é a vez de “Itaquaquecetuba” e Os Paralamas atacam com aquele som  que nos acostumamos a esperar deles, com os teclados de João Fera, um naipe de metais e uma daquelas letras de Herbert Vianna brincando com a sonoridade das palavras e uma pegada um pouco mais rock n’ roll.

“Medo do Medo” é um rap de 2007 gravado originalmente pela rapper portuguesa Capicua, adaptado para o estilo da banda, traz uma letra que fala um pouco da situação que o mundo vive, construído e organizado para que a grande maioria siga como vítima, sugada pelo sistema de tantos jeitos,  que até seus medos estão sendo explorados e geram lucro para alguém.

Nando Reis é o compositor da balada “Não Posso Mais”, que se encaixa  muito bem no repertório paralâmico ao lado de “Teu Olhar” e “Contraste”, as duas baladas compostas por Herbert Vianna que a sucedem nesta porção mais romântica do disco.

“Cuando Pase El Temblor”, de Gustavo Cerrati, é uma cover irresistível da banda argentina Soda Stereo que serve também para lembrar que Os Paralamas conseguiram conquistar os corações dos nossos hermanos, um feito que muitos artistas brasileiros já tentaram, sem muito sucesso.

E depois do espanhol é a vez do inglês, “Blow the Wind”, outra composição de Herbert Vianna com letra  otimista.

Também feliz e comemorando a ausência de preocupações “Olha a Gente Aí” cita o poema “Ó Sino da Minha Aldeia” de Fernando Pessoa. Para fechar o disco o reggae romântico “Sempre Assim”.

Embora muitos críticos tenham pegado pesado com este trabalho, cobrando principalmente um posicionamento mais político diante da triste situação que o país vive nos últimos tempos,  não vejo em que a banda poderia ajudar. Antes de tudo, foi o brasileiro médio quem escolheu viver o que vive hoje e não há saídas, enquanto não abandonarmos essa letargia conivente com o mal que muitos adotaram neste último ano. Aliás, se continuarmos como estamos, a tal “luz no final do túnel” será mesmo a de um trem se aproximando.

Adriana Maraviglia
@drikared

Ouça “Sinais do Sim”, o novo disco dos Paralamas do Sucesso:

 

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